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Lampião Biografia. Lampião O Rei do Cangaço: O Nascimento da Lenda (en Portugués)
Guilherme Miranda De Aguiar (Autor) · Independently published · Tapa Blanda
Quedan más de 100 unidades
$ 59.020O homem que o sertão havia nomeado Lampião não havia pedido para ser nomeado.
Em fevereiro de 1925, Virgulino Ferreira da Silva saiu da caatinga de Pernambuco à frente de vinte e seis homens com o cheiro de terra molhada no ar e a certeza fria de quem construiu o suficiente para continuar. O pai estava morto. A mãe estava morta. O sítio Passagem das Pedras estava nas mãos de outro homem. O sistema que havia destruído a família havia, sem querer, criado algo que não sabia lidar com o que havia criado.
Este é o segundo volume da saga épica baseada na vida real do cangaceiro mais temido e mais amado da história do Brasil.
O Nascimento da Lenda acompanha os anos em que Virgulino Ferreira da Silva deixou de ser o nome que o sertão nordestino sussurava e se tornou o nome que os jornais do Rio de Janeiro publicavam. Os anos em que o bando de vinte e seis homens cresceu e se sofisticou além do que qualquer cangaço havia sido antes. Os anos em que o Estado brasileiro - a polícia estadual, o Exército federal, os coronéis e os ministros - percebeu que havia um problema que não cabia mais nas categorias disponíveis para nomear o que Lampião era.
Neste volume: a proposta do Exército que Lampião aceitou sem cumprir - e as armas que o Estado entregou ao homem que estava tentando capturar. O canal aberto com Padre Cícero Romão Batista, o homem mais poderoso do sertão nordestino, e a carta que o padre escreveu de próprio punho: você é o que o sertão precisava. Não porque era inevitável. Mas porque escolheu ser, com tudo que essa escolha custou. Os jornais de Recife, Salvador e Rio de Janeiro inventando o Robin Hood brasileiro - e Lampião calculando com a frieza que havia herdado do pai o que fazer com uma narrativa que estava errada mas que era, por enquanto, útil. O coronel Drummond que mandou mensagem três vezes antes de receber resposta - e o que os dois homens disseram quando finalmente se encontraram numa fazenda neutra no sertão baiano. E a operação do tenente coronel Lauro Façanha - a mais preparada até então, com treinamento específico para caatinga e coordenação federal - que durou dezoito dias, percorreu o território, e não encontrou o bando.
E há Maria Gomes de Oliveira, que chegou com o que cabia numa trouxa de lona e com a clareza específica de quem não está fugindo mas saindo. Que disse: sei o que estou deixando para trás. O que estou escolhendo ainda estou descobrindo. E que ficou. E que transformou o bando em algo diferente do que havia sido - não pela força, não pela arma, mas pela forma de ver o que os outros não viam porque olhavam para onde a ameaça estava e ela olhava para onde a ameaça ainda ia chegar. O sertão não tinha palavra para o que ela era. Ia ter.
O Nascimento da Lenda não é a história do herói que os jornais construíram. É a história do homem que aprendeu a existir dentro de uma narrativa que não havia escrito, que aprendeu a usar o mito como ferramenta sem deixar que o mito o consumisse, que aprendeu - no custo específico de dois anos de liderança plena - a diferença entre o poder que serve e o poder que existe para si mesmo. A diferença que Zé Ferreira nunca pôde aprender porque o sistema não deixou.
E é a história de uma criança de oito anos que chegou até Lampião numa comunidade de agregados na Bahia, ficou parada na frente dele, e disse com a naturalidade das coisas que não precisam de cerimônia: você é o rei.
Ele não corrigiu.
Porque corrigir o que está certo não é humildade. É desperdício.
Baseado em fatos históricos documentados. Escrito com a brutalidade que o sertão merece e a precisão de quem foi fundo nos registros, nas cartas e nos arquivos que o tempo quase apagou.
Volume 2 da Série Lampião - O Rei do Cangaço. Depois Continue com o Livro 3: O Rei do Sertão.
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